Publicado em Recursos Marketing de Rede
Não consigo resistir a escrever hoje este post. Ainda tentei adiar, mas a carne é fraca (ou a mente, neste caso) e tenho mesmo de escrever senão rebento.
A razão para esta urgência foi um email que recebi, e, estou certo, alguns dos meus leitores receberam também, enviado por uma pessoa de alguma visibilidade na indústria no marketing de rede e do marketing de internet. Uma delícia de diversão, e um óptimo exemplo do que NÃO FAZER.
Vou explicar:
Tu tens um grupo de afiliados (ou de downlines) e reparas que alguns não pagam a anuidade, ou mensalidade, ou não fazem o consumo mínimo mensal. Se essa percentagem for grande tu ficas preocupado porque disso depende, obviamente, o teu rendimento de afiliado ou de empresário multinível.
Então decides convencer o teu pessoal a pagar as quotas, ou os produtos e fazes isso conforme a tua posição pessoal, uma de duas possíveis:
- A posição da Escassez (modo de sobrevivência):
Tu estás a ver que não ganhas o que querias porque uma grande parte do teu grupo não está a fazer os mínimos combinados. Ficas desiludido e zangado com eles e partes para o ataque: “Pague a MER*A da taxa de uma vez…“ ou ainda: “Pague a POR*ARIA da taxa de uma vez por todas“ (citações verídicas retiradas do email que referi, sim, ipsis verbis, “copy e paste”). É claro que não tens de ser malcriado com o teu grupo e, por isso, em vez de falares assim talvez prefiras dizer: “ninguém compra os mínimos porquê?“, “quando é que começam a ser crescidinhos e a levar isto a sério?”, “ando eu para aqui a matar-me para quê se ninguém aproveita?”.
Quem está a falar é a escassez dentro de ti, a tua necessidade. Entendes que todos deveriam estar a fazer uma determinada coisa (pagar uma taxa, encomendar uns produtos, usar uma ferramenta). Agora a sério: achas que alguém está interessado naquilo que te falta ou naquilo que tu queres? É claro que não! Não mais do que tu estás interessado naquilo que as tuas pessoas querem. Tu queres que elas façam uma determinada coisa, e elas entendem fazer outra. Nada mais natural.
Se estás na posição de downline e o teu upline tem este tipo de atitude contigo, tu sabes os sentimentos que ele te provoca: humilhação, inferioridade. Não sentes com certeza vontade de fazer o que ele pede, a não ser para evitares que ele volte a fazer-te sentir o mesmo no futuro: humilhado e desvalorizado. O facto é que não continuarás nesse negócio muito tempo porque não tens de aturar um upline arrogante que pensa que todos têm de fazer o que lhe convém a ele.
Se actuas a partir da posição de escassez o teu grupo não se manterá por muito tempo. Estás a privilegiar os números em vez das pessoas, a tua necessidade em vez das necessidades delas. E, não esqueças, o que o teu grupo faz depende do que tu fazes.
Se uma boa percentagem do teu grupo anda a fazer algo que não te agrada verifica o que andas tu a fazer ultimamente porque aquilo é reflexo disto.
Tens de equacionar o que é que tu pretendes de facto.
Se o teu objectivo é ganhar dinheiro rápido e nada mais, então estás a falar a partir da posição de escassez. Se tu pretendes construir uma organização de pessoas responsáveis, colaboradoras, líderes que dão o exemplo, que não se limitam a fazer os mínimos mas a “dar o litro”, nesse caso precisas de ter um estilo completamente diferente de liderança.
Tens de identificar porque é que as pessoas não pagam a mensalidade ou não compram os produtos. Depois tens de eliminar essas causas.
Isso é liderar: achar soluções, não impor obrigações.
Muitas pessoas não estão comprometidas com o negócio. Encaram-no como um hobby. Se, ao chegar o dia de pagar, ou comprar os produtos, surgir um imprevisto: um casamento, uma jantarada com amigos, uma viagem de fim de semana, podes dizer adeus à comissão: essa pessoa tem outras prioridades.
Podes gritar e berrar que eles não te ouvem, nem querem saber e, se insistires, eles irão embora. Quem tem razão? Eles.
Outras pessoas estão comprometidas, mas, de facto têm dificuldades económicas. Estas sentem profundamente o que tu dizes quando as humilhas. Elas sabem que tens razão quando gritas que é o negócio delas, que têm de investir, de participar. Elas adorariam fazer o que dizes, mas os filhos a precisarem de sapatos levam a melhor. Se insistires irás perdê-los porque os fazes sentir fracassados e inúteis. Quem tem razão? Eles.
Há ainda outras pessoas que são simplesmente desleixadas. Não lhes custa nada comprar os produtos ou pagar as mensalidades, mas andam distraídas. Não estão a ter o sucesso prometido e por isso não se preocupam muito com o compromisso de pagar ou comprar. Falando de forma agressiva poderás conseguir que se mexam e paguem, mas eventualmente irão embora para não terem de te aturar.
Quem tem razão? Eles. Quem tem a culpa se no teu grupo há muitos que não fazem os mínimos? Tu. Quem tem de mudar? Tu.
Se queres apanhar moscas não consegues atrai-las com vinagre. É com mel que se apanham moscas.
Como apanhar moscas? A Posição da Abundância (modo de contribuição)
Ouviste falar alguma vez em “marketing de atracção?” Sabes o que isso é? Pois sim: é tornares-te atractivo pela pessoa que tu és. Preocupa-te em solucionar as causas em vez de exigir resultados. Foca-te em mostrar o que acontece a quem faz o que deve em vez de ameaçar e humilhar quem não o faz. Dá o exemplo e elogia em vez de criticares. Puxa pelo melhor que têm as tuas pessoas, desenvolve-as como pessoas.
Se os teus afiliados sentirem que pertencem a um grupo, estarão mais que dispostos “a dar o litro” pelo grupo. Isso é uma consequência da forma como tu te relacionas com eles. Se andas atrás do dinheiro deles, eles protegem-se de ti. Se andas a solucionar os problemas eles tornam-se altamente colaborativos e nunca terás necessidade de exigir seja o que for porque eles serão os primeiros a chegar-se à frente.
Para terminar que a conversa vai longa: Se um dia o teu upline te tratar dessa forma, fica sabendo que não há nada de errado contigo, mas há muito de errado com ele.
Se tu tratares assim os teus downlines: muda a tua atitude e torna-te tu primeiro colaborativo com as necessidades deles em vez de exigente para que satisfaçam as tuas. Ou já esqueceste que liderar é em primeiro lugar servir e não ser servido?
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Rui Gabriel,